Selecione o Tema:

1. A Origem da família

2. O significado do casamento

3. A estrutura familiar

4. O papel da mulher na família 2

5. O Papel dos Filhos

6. Educação Bíblica no Lar

7. A Vida Cristã no Lar

8. O Solteiro e o Casamento

A Cultura pode nos amar?

Se fôssemos mais como Cristo seríamos mais amados? Nada é mais falso do que a resposta que muitos tem dado a esta pergunta.


“É o suficiente para o discípulo ser como o seu mestre” - Mateus 10:25


Ninguém contesta essa afirmação, pois seria inconveniente para o servo ser exaltado acima de seu Mestre. Quando nosso Senhor estava na terra, qual foi o tratamento que ele recebeu? Suas reivindicações foram reconhecidas, suas instruções seguidas e Suas perfeições adoradas por aqueles a quem Ele veio para abençoar? Não! “Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens”.


Seu lugar estava fora do acampamento! Levar a cruz era a Sua ocupação. Será que o mundo deu-Lhe consolo e descanso? "As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”. Este mundo inóspito não lhe proporcionou nenhum abrigo – o expulsaram e crucificaram!


Então, se você é um seguidor de Jesus, e mantém um caminhar consistente como Cristo e o Seu estilo de vida, o mundo irá tratá-lo como eles trataram o Salvador, eles vão te desprezar!


Não sonhe que os mundanos, a cultura vai admirá-lo quanto mais santo e semelhante a Cristo você for – Não sonhe que mais pacificamente as pessoas irão agir em direção a você. “Se chamaram o dono da casa de Belzebu, quanto mais eles chamarão os servos de sua casa?" Se fôssemos mais semelhantes a Cristo - seríamos mais odiado por seus inimigos! A cultura a volto tem cada vez gostado mais de como vives, do que ensinas, visto como relevante? Então o sinal de perigo já disparou!


Seria uma desonra triste para uma filho de Deus ser o favorito do mundo. É um péssimo sinal - ouvir um mundo perverso, aplaudir e gritar “Bem feito! Maravilhoso!” - para o homem cristão. Ele pode começar a olhar para o seu caráter e o caráter do seu ensino, e se perguntar se não tem feito tudo errado, quando os ímpios lhe dão a sua aprovação. Sejamos fiéis ao nosso Mestre, e não tenhamos nenhuma amizade com um mundo cego que despreza e rejeita a santidade do Senhor da glória! Longe de nós, buscar uma coroa de honra, onde nosso Senhor encontrou uma coroa de espinhos!


"Se o mundo vos odeia, entendam que ele me odiou antes de odiar a vós. Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu. Contudo, porque não sois do mundo, mas eu vos escolhi do mundo, o mundo vos odeia!” - João 15:18-19


(Charles Haddon Spurgeon nasceu em 1834 e faleceu em 1892. Seu primeiro pastorado, aos 17 anos de idade, foi numa igreja em Cambridgeshire. Mudou-se para New Park Street Chapel, Londres, em 1854, e em 5 anos tornou-se o ministro mais famoso da cidade.)


C.H.Spurgeon

O que é Santidade?

Lamentavelmente, os escândalos ocorridos nas igrejas vêm confirmar nosso entendimento de que em muitos ambientes evangélicos, a santidade de vida, a ética e a moralidade estão completamente desconectados da vida cristã, dos cultos, dos milagres, da prosperidade em geral.


Uma análise do conceito bíblico de santidade destacaria uma série de princípios cruciais, dos quais destaco alguns aqui:


1) A santidade não tem nada a ver com usos e costumes. Ser santo não é guardar uma série de regras e normas concernentes ao vestuário e tamanho do cabelo. Não é ser contra piercing, tatuagem, filmes da Disney. Não é só ouvir música evangélica, nunca ir à praia ou ao campo de futebol. Não é viver jejuando e orando, isolado dos outros, andar de paletó e gravata. Para muitos, santidade está ligada a esse tipo de coisas. Duvido que estas coisas funcionem. Elas não mortificam a inveja, a cobiça, a ganância, os pensamentos impuros, a raiva, a incredulidade, o temor dos homens, a preguiça, a mentira. Nenhuma dessas abstinências e regras conseguem, de fato, crucificar o velho homem com seus feitos. Elas têm aparência de piedade, mas não tem poder algum contra a carne. Foi o que Paulo tentou explicar aos colossenses, muito tempo atrás: “Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade” (Colossenses 2.23).


2) A santidade existe sem manifestações carismáticas e as manifestações carismáticas existem sem ela. Isso fica muito claro na primeira carta de Paulo aos Coríntios. Provavelmente, a igreja de Corinto foi a igreja onde os dons espirituais, especialmente línguas, profecias, curas, visões e revelações, mais se manifestaram durante o período apostólico. Todavia, não existe uma igreja onde houve uma maior falta de santidade do que aquela. Ali, os seus membros estavam divididos por questões secundárias, havia a prática da imoralidade, culto à personalidade, suspeitas, heresias e a mais completa falta de amor e pureza, até mesmo na hora da celebração da Ceia do Senhor. Eles pensavam que eram espirituais, mas Paulo os chama de carnais (1Coríntios 3.1-3). Não estou negando as manifestações espirituais. Creio que Deus é Deus. Contudo, Ele mesmo nos mostra na Bíblia que manifestações espirituais podem ocorrer até mesmo através de pessoas como Judas, que juntamente com os demais apóstolos, curou enfermos e ressuscitou mortos (Mateus 10.1-8). No dia do juízo, o Senhor Jesus irá expulsar de sua presença aqueles que praticam a iniqüidade, mesmo que eles tenham expelido demônios e curado enfermos (Mateus 7.22-23)


3) A santidade implica principalmente na mortificação do pecado que habita em nós e em viver de acordo com a vontade de Deus revelada nas Escrituras. Apesar de regenerados e de possuirmos uma nova natureza, o velho homem permanece em nós e carece de ser mortificado diariamente, pelo poder do Espírito Santo. É necessário mais poder espiritual para dominar as paixões carnais do que para expelir demônios. E, a julgar pelo que estamos vendo, estamos muito longe de estar vivendo uma grande efusão do Espírito. Onde as paixões carnais se manifestam, não há santidade, mesmo que a ortodoxia doutrinária seja defendida ardorosamente, doentes sejam curados, línguas sejam faladas e demônios sejam expulsos. A Bíblia não faz conexão direta entre santidade e manifestações carismáticas e defesa da ortodoxia. Ao contrário, a Bíblia nos adverte constantemente contra a ortodoxia dos fariseus, contra os falsos profetas, Satanás e seus emissários, cujo sinal característico é a operação de sinais e prodígios, ver Mateus 24.24; Marcos 13.22; 2Tessalonicenses 2.9; Apocalipse 13.13; Apocalipse 16.14.


4) É mais difícil vencer o domínio de hábitos pecaminosos do que quebrar maldições, libertar enfermos, e receber prosperidade. O poder da ressurreição, contudo, triunfa sobre o pecado e sobre a morte. Quando “sabemos” que fomos crucificados com Cristo (Romanos 6.6), nos “consideramos” mortos para o pecado e vivos para Deus (Romanos 6.11), não permitimos que o pecado “reine” sobre nós (Romanos 6.12) e nem nos “oferecemos” a ele como escravos (Romanos 6.13), experimentamos a vitória sobre o pecado (Romanos 6.14). Aleluia!


5) A santidade é progressiva. Ela não se obtém instantaneamente, por meio de alguma intervenção sobrenatural. Deus nunca prometeu que nos santificaria inteiramente e instantaneamente. Na verdade, os apóstolos escreveram as cartas do Novo Testamento exatamente para instruir os crentes no processo de santificação. Infelizmente, influenciados pelo pensamento de João Wesley – que noutros pontos tem sido inspiração para minha vida e de muitos outros –, alguns buscam a santificação instantânea, ou a experiência do amor perfeito, esquecidos que a pureza de vida e a santidade de coração são advindas de um processo diário, progressivo e incompleto aqui nesse mundo.


6) A santificação é um processo irresistível na vida do verdadeiro salvo. Deus escolheu um povo para que fosse santo. O alvo da escolha de Deus é que sejamos santos e irrepreensíveis diante dele (Efésios 1.4). Deus nos escolheu para a salvação mediante a santificação do Espírito (2Tessalonicenses 2.13). Fomos predestinados para sermos conformes à imagem de Jesus Cristo (Romanos 8.29). Muito embora o verdadeiro crente tropece, caia, falhe miseravelmente, ele não permanecerá caído. Será levantado por força do propósito de Deus, mediante o Espírito. Sua consciência não vai deixá-lo em paz. Ele não conseguirá amar o pecado, viver no pecado, viver na prática do pecado. Ele vai fazer como o filho pródigo, “Levantar-me-ei e irei ter com o meu Pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti” (Lucas 15.18). Ninguém que vive na prática do pecado, da corrupção, da imoralidade, da impiedade, – e gosta disso – pode dizer que é salvo, filho de Deus, por mais próspero que seja financeiramente, por mais milagres que tenha realizado e por mais experiências sobrenaturais que tenha tido.


Precisamos de santidade! E como! E a começar em mim. Tenha misericórdia, ó Deus!


Rev. Augustus Nicodemos Lopes

O que é a Igreja? Uma visão da teologia reformada

A igreja de Deus existe e está presente no mundo. O Senhor Jesus falou dela, quando disse aos discípulos que “edificaria sua igreja” (Mt 16.13-20) e quando determinou que os discípulos faltosos fossem corrigidos pela “igreja” (Mt 18.17). Podemos definir a igreja de Cristo como sendo a comunhão de todos os que foram chamados por Deus, mediante a sua Palavra, e que pela ação do Espírito Santo recebem a Cristo como único Salvador e Senhor, que conhecem e adoram a Deus Pai, Filho e Espírito Santo, em verdade, e que participam pela fé dos benefícios gratuitos oferecidos por Cristo


A igreja é una, ou seja, só existe uma. Cristo sempre teve somente uma noiva: “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25). Ao mesmo tempo, ela é universal, está espalhada pelo mundo todo, e tem pessoas de todas as tribos, povos, e raças (Ap 7.9-10). Isto não quer dizer que a igreja de Cristo é do tamanho do mundo. Existe uma diferença radical entre a igreja e o mundo. A igreja está no mundo, mas não é dele. Jesus orou pela igreja mas não pelo mundo (Jo 17.9).


A igreja de Deus sempre existiu e sempre existirá. Deus sempre teve e terá um povo para Si, para o adorar em espírito e em verdade. A igreja de Deus, porém, atravessou duas fases históricas distintas. No período antes de Cristo ela estava grandemente resumida à nação de Israel, e funcionava com rituais, símbolos e ordenanças determinadas por Deus, como figuras e tipos de Cristo. Com a vind de Cristo e do Espírito no dia de Pentecostes, estas cerimônias foram abolidas, e agora adoramos a Deus de forma mais simples. Porém, é a mesma igreja, o mesmo povo, no Antigo e no Novo Testamentos. Antes de Cristo, os crentes em Israel se salvaram pela fé no Messias que haveria de vir. Depois de Cristo, somos salvos pela fé no Messias que já veio. O autor de Hebreus inclui na mesma relação dos heróis da fé os crentes do Antigo e do Novo Testamento (veja especialmente Hb 11.39-40).


A igreja de Deus, mesmo sendo una e indivisível, existe agora em duas dimensões: (1) a igreja militante, composta dos crentes vivos neste mundo, que ainda estão lutando contra a carne, o pecado, o mundo e Satanás; e (2) a igreja triunfante, composta daqueles fiéis que, tendo vencido a luta, já partiram deste mundo, e hoje desfrutam do triunfo na presença de Deus (Hb12.22-23). Estas duas partes da igreja de Deus se unirão na Vinda do Senhor Jesus, quando houver a ressurreição dos mortos, e nosso encontro com o Senhor, para com Ele ficarmos para sempre, e com nossos irmãos de todas as épocas e de todas as partes do mundo (1Tess 4.16-18).


A igreja militante se expressa aqui neste mundo por meio de igrejas locais. Paulo escreveu cartas a várias destas igrejas, como a de Corinto, Tessalônica, etc. (1Co1.2; 1Ts 1.1). Igrejas locais são a organização dos crentes, ainda que informal, que se reúnem regularmente para cultuar a Deus, serem instruídos em Sua Palavra, se edificarem mutuamente e celebrar os sacramentos. As igrejas têm direção e liderança espiritual, promovem cultos de adoração, celebram os sacramentos, anunciam o Evangelho e praticam boas obras. Estas igrejas locais podem ter um aspecto estrutural e organizacional, mas jamais devem ser consideradas como um clube ou uma empresa, e nem os interesses organizacionais devem sobrepujar os interesses do Reino de Deus


Estas igrejas locais podem ser mais ou menos puras, dependendo de quão pura é a pregação do Evangelho que ocorre ali, a celebração correta dos sacramentos e o exercício da disciplina entre seus membros.


É tarefa de cada igreja particular reformar-se continuamente à luz da Palavra de Deus, procurando cada vez mais aproximar-se do ideal bíblico. São os princípios bíblicos que são imutáveis, não as formas organizacionais e externas. As igrejas locais devem zelar pela pureza da pregação, da celebração dos sacramentos e pela vida espiritual e moral daqueles que ali se congregam


Rev. Augustus Nicodemos Lopes

Credos e Confissões - Breve História

A Confissão de Fé de Westminster é a principal declaração doutrinária adotada oficialmente pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Ela foi um dos documentos aprovados pela Assembléia de Westminster (1643-1649), convocada pelo Parlamento inglês para elaborar novos padrões doutrinários, litúrgicos e administrativos para a Igreja da Inglaterra. Para se entender as circunstâncias da formulação desse importante documento, é preciso relembrar a história da Reforma Inglesa.

1. Antecedentes

Até 1534, a Inglaterra havia sido católica romana por muitos séculos. Nesse ano, sob a liderança do rei Henrique VIII, essa nação rompeu com Roma e aprovou o Ato de Supremacia, pelo qual o rei passou a ser o chefe da Igreja da Inglaterra. Assim sendo, passou a existir uma igreja nacional inglesa, separada de Roma, mas ainda católica, com o nome de Igreja Anglicana.

Com a morte de Henrique VIII em 1547, subiu ao trono o seu filho adolescente Eduardo VI. Sob a liderança de Thomas Cranmer, arcebispo de Cantuária, foram elaborados dois importantes documentos, ambos influenciados pela teologia calvinista: os Trinta e Nove Artigos e o Livro de Oração Comum. Várias outras reformas foram realizadas, tendo-se a impressão de que a fé protestante iria triunfar. Todavia, a morte prematura do jovem rei, em 1553, interrompeu bruscamente esse processo.

Eduardo foi sucedido por sua meia-irmã, Maria Tudor, mais tarde conhecida como “Maria, a Sanguinária”. Ela era filha de Henrique VIII e da princesa católica espanhola Catarina de Aragão. De imediato, Maria se dispôs a anular o que seu pai e seu irmão haviam feito e levar a Inglaterra de volta para a Igreja de Roma. O arcebispo Cranmer e muitos outros líderes da Reforma foram queimados na fogueira.

Muitos protestantes fugiram para o continente, sendo que um bom número deles se refugiou em Genebra, onde o reformador João Calvino estava no auge da sua influência. Eles organizaram uma igreja presbiteriana, tendo como pastor um dos refugiados, o escocês João Knox. Outro refugiado, Miles Coverdale, e alguns companheiros fizeram uma nova tradução das Escrituras, que ficou conhecida como a Bíblia de Genebra. Foi a primeira Bíblia de tamanho pequeno a ser publicada e a primeira Bíblia em inglês na qual os livros eram divididos em capítulos e versículos.

Com a morte de Maria em 1558, sua meia-irmã Elizabete subiu ao trono para um longo reinado de 45 anos. O Ato de Supremacia foi restabelecido e os protestantes exilados tiveram permissão para retornar. Eles voltaram para a Inglaterra e a Escócia com a sua Bíblia de Genebra e com maior convicção acerca do calvinismo e do presbiterianismo.


2. Os puritanos

Nesse contexto, solidificou-se um movimento cujas raízes mais remotas vinham desde o pré-reformador João Wyclif (século 14), passando pelo tradutor da Bíblia William Tyndale (†1536) e muitos outros líderes. Firmemente apegados às Escrituras e à teologia calvinista, esses protestantes começaram a insistir numa reforma genuína da igreja inglesa, com uma forma de governo, um sistema de doutrinas, um culto e uma vida mais puros, ou seja, mais bíblicos. Com isso, por volta de 1565 eles passaram a ser chamados de “puritanos”.

A rainha Elizabete alarmou-se com o crescimento do puritanismo e tudo fez para forçar os puritanos a se submeterem aos padrões religiosos vigentes. Todavia, o movimento continuou a crescer. Um autor diz que a Inglaterra nunca experimentou uma transformação moral tão grande como a que ocorreu entre o meio do reinado de Elizabete e a convocação do Longo Parlamento. A Inglaterra se tornou o povo de um livro, a Bíblia, que era lida nas igrejas e nos lares, gerando grande vitalidade espiritual. (Ver John Richard Green, em Uma Breve História do Povo Inglês).

Com a morte de Elizabete em 1603, Tiago VI da Escócia, filho de Maria Stuart, tornou-se Tiago I, rei da Inglaterra e da Escócia, e chefe da igreja. Os puritanos nutriam grandes esperanças em relação ao novo rei, que havia sido educado pelos presbiterianos da Escócia. Todavia, ele os decepcionou profundamente, visto estar muito apegado ao sistema episcopal de governo eclesiástico. Ele disse: “Vou fazer com que se submetam ou os expulsarei do país, ou coisa pior”. No sei reinado, um grupo de puritanos foi inicialmente para a Holanda e depois para a Nova Inglaterra, na América do Norte. A única coisa positiva que esse rei fez na área religiosa foi aprovar uma nova e influente tradução da Bíblia, que ficou conhecida como a Versão do Rei Tiago (King James Version, 1611).


3. A Assembléia de Westminster

Tiago foi sucedido no trono por seu filho Carlos I, que reinou de 1625 a 1649. Seu principal conselheiro era William Laud, arcebispo de Cantuária, um adepto da teologia arminiana e da uniformidade religiosa. Em 1637, Carlos I e Laud tentaram fazer com que os presbiterianos da Escócia se submetessem ao governo e culto da Igreja da Inglaterra, com seu sistema episcopal (bispos e arcebispos). No ano seguinte, os escoceses assinaram um Pacto Nacional no qual se comprometiam a defender o presbiterianismo e entraram em guerra contra o rei.

Carlos precisava de mais homens e dinheiro para lutar contra os escoceses e assim foi forçado a convocar a eleição de um Parlamento. Para seu horror, os ingleses elegeram um Parlamento puritano. Ele rapidamente dissolveu o parlamento e convocou nova eleição, que resultou em uma maioria puritana ainda mais expressiva. O rei tentou novamente tentou dissolver o Parlamento, que entrou em guerra contra ele. Estava iniciada a guerra civil inglesa.

Entre outras coisas, esse Parlamento puritano voltou sua atenção para a questão religiosa. Há 75 anos os puritanos vinham insistindo que a Igreja da Inglaterra tivesse uma forma de governo, doutrinas e culto mais puros. Assim sendo, o Parlamento convocou a “Assembléia de Teólogos de Westminster”, que ficou composta de 121 dos ministros mais capazes da Inglaterra, além de 20 membros da Câmara dos Comuns e 10 membros da Câmara dos Lordes. Todos os ministros, exceto dois, eram da Igreja da Inglaterra. Praticamente todos eles eram puritanos, calvinistas. Infelizmente, não havia unanimidade entre eles quanto à forma de governo: a maioria era composta de presbiterianos, muitos eram partidários da forma congregacional e alguns defendiam o episcopalismo. Os debates mais longos e acalorados foram travados nessa área.

A Assembléia de Westminster iniciou seus trabalhos na Abadia de Westminster, em Londres, no dia 1° de julho de 1643, e continuou em atividade durante cinco anos e meio. Nesse período, houve 1163 reuniões do plenário e centenas de reuniões de comissões e subcomissões.


4. A conexão escocesa

Mal haviam começado os trabalhos, as forças parlamentares começaram a ficar em desvantagem na guerra. Rapidamente foi enviada uma delegação à Escócia em busca de auxílio. Os escoceses concordaram em enviar socorro, mediante duas condições: (a) todos os membros da Assembléia de Westminster e do Parlamento deviam assinar uma Liga e Pacto Solene a ser redigido pelos escoceses; (b) os escoceses iriam nomear alguns representantes junto à Assembléia de Westminster. Ao assinarem esse documento, os ingleses se comprometeram a manter e defender a Igreja Presbiteriana da Escócia e a realizarem uma reforma da igreja “na Inglaterra e na Irlanda em sua doutrina, governo, culto e disciplina, de acordo com a Palavra de Deus e o exemplo das melhores igrejas reformadas”.

Os escoceses enviaram seis delegados à Assembléia de Westminster – quatro pastores e dois presbíteros – sem direito a voto. Os ministros eram: Alexander Henderson, Robert Baillie, George Gillespie e Samuel Rutherford. Esses poucos representantes escoceses exerceram uma influência decisiva sobre a Assembléia. Com a chegada dos escoceses e a assinatura da Liga e Pacto Solene em setembro de 1643, houve uma mudança radical no trabalho da Assembléia. Antes disso, a maior parte do tempo havia sido dedicada a uma revisão dos Trinta e Nove Artigos e não se pensara em elaborar uma nova Confissão de Fé. Agora os Trinta e Nove Artigos foram postos de lado e passou-se a fazer uma reforma profunda na Igreja da Inglaterra.

A Assembléia de Westminster era um conjunto de homens não somente eruditos, mas profundamente espirituais. Gastou-se muito tempo em oração e tudo foi feito com espírito de reverência. Robert Baillie, um dos representantes escoceses, descreveu um dos dias de jejum e oração: “Depois que o Dr. Twisse deu início com uma breve oração, o Sr. Marshall orou longamente por duas horas, confessando mui piedosamente os pecados dos membros da Assembléia... Depois disso, o Sr. Arrowsmith pregou por uma hora, e então foi cantado um salmo. Em seguida, o Sr. Vines orou por quase duas horas, o Sr. Palmer pregou por uma hora e o Sr. Seaman orou por quase duas horas; em seguida, foi cantado um salmo. Depois disso, o Sr. Henderson os levou a uma breve e suave reflexão sobre as faltas confessadas e outras faltas vistas na Assembléia, para serem corrigidas. O Dr. Twisse encerrou com breve oração e bênção. Deus estava presente de modo tão claro nesse exercício devocional que nós certamente esperamos uma bênção tanto sobre os assuntos da Assembléia quanto sobre todo o reino”.


5. O trabalho da Assembléia

Durante seus cinco anos e meio de atividade, a Assembléia de Westminster produziu os chamados Padrões Presbiterianos. À medida que era concluído, cada documento era encaminhado ao Parlamento como o “humilde conselho” da Assembléia. O Parlamento não aprovou automaticamente o trabalho da Assembléia, mas gastou muito tempo estudando e discutindo cada documento. Os Padrões Presbiterianos, na ordem em que foram concluídos pela Assembléia, são os seguintes: (a) Diretório do Culto Público a Deus: foi concluído em dezembro de 1644 e aprovado pelo Parlamento em janeiro de 1645. Substituiu o Livro de Oração Comum. (b) Forma de Governo Eclesiástico e Ordenação: foi concluída em novembro de 1644 e aprovada pelo Parlamento em 1648. Era uma forma presbiteriana de governo e substituiu o episcopalismo na Igreja da Inglaterra. (c) Confissão de Fé: foi concluída em dezembro de 1646 e aprovada pelo Parlamento em março de 1648. (d) Catecismos Maior e Breve: foram concluídos no final de 1647 e aprovados pelo Parlamento em setembro de 1648. (e) Saltério: versão métrica dos salmos para o culto; havia várias versões concorrentes, mas a de Francis Rous, membro do Parlamento e da Assembléia, foi finalmente aprovada em novembro de 1645, após uma extensa revisão. Foi aprovado pelo Parlamento no ano seguinte.


6. A Confissão de Fé

O esboço inicial da Confissão de Fé de Westminster foi preparado por duas comissões a partir de outubro de 1644, com a plena participação dos representantes da Igreja da Escócia. O plenário da Assembléia discutiu o documento de julho de 1645 a dezembro de 1646. Alguns dos debates foram acalorados, especialmente sobre temas como o Decreto de Deus, a Liberdade Cristã e a Liberdade de Consciência, e a liderança de Cristo. De um modo geral, houve uma notável unanimidade entre os participantes.

No dia 26 de novembro de 1646 o texto ficou pronto, com a exceção do prefácio e de algumas emendas. Estes foram concluídos no 4 de dezembro, quando a Confissão de Fé foi apresentada à Câmara dos Comuns. Todavia, o Parlamento exigiu a apresentação de textos bíblicos de apoio, cuja preparação e discussão continuou até abril de 1647. Em 29 de abril, a Confissão com as passagens bíblicas foi apresentada às duas câmaras. A Câmara dos Comuns determinou a impressão de 600 cópias, somente para os membros do Parlamento e da Assembléia. O título era: “O humilde conselho da Assembléia de teólogos que por autoridade do Parlamento ora está reunida em Westminster... com respeito a uma Confissão de Fé, com a adução de citações e textos da Escritura”.

A Confissão foi aprovada pelo Parlamento somente em 1648, com o seguinte título: “Artigos de religião cristã, aprovados e sancionados por ambas as casas do Parlamento, segundo o conselho da Assembléia de teólogos ora reunida em Westminster por autoridade do Parlamento”.

A Confissão de Fé é uma expressão da teologia agostiniana e calvinista que há mais de um século vinha influenciando os teólogos ingleses. Especificamente, a forma da Confissão foi influenciada pelos chamados Artigos Irlandeses, elaborados pelo bispo Ussher em 1615. Quanto ao esquema teológico geral sob o qual os teólogos de Westminster agruparam suas principais doutrinas, trata-se do sistema conhecido como Teologia Federal ou Teologia do Pacto (Pacto das Obras e Pacto da Graça).

Como uma declaração da doutrina reformada e como uma afirmação do calvinismo do século 17, a Confissão de Fé é um documento extremamente moderado e judicioso. William Beveridge conclui: “Devemos agradecer a Deus por essa declaração sábia, completa e equilibrada de nossa fé, que chegou até nós como uma preciosa herança da Assembléia de Westminster”.


7. Eventos subseqüentes

Com o auxílio dos escoceses, as forças parlamentares lideradas por Oliver Cromwell esmagaram o rei Charles e seus exércitos. Cromwell e o exército inglês eram partidários do congregacionalismo; assim sendo, os presbiterianos foram expulsos do Parlamento em 1648. O rei foi decapitado na Torre de Londres em janeiro de 1649, sendo então criada a Comunidade (Commonwealth), tendo Cromwell como Lorde Protetor da Inglaterra e da Escócia.

Cromwell morreu em 1658 e dois anos depois foi restaurada a monarquia, com Carlos II no trono dos dois países. O episcopado foi restaurado, sendo aprovadas rígidas leis que impunham submissão ao governo e ao culto da Igreja da Inglaterra. Cerca de dois mil ministros presbiterianos foram expulsos de suas igrejas e residências. Seguiu-se um longo período de intolerância e cerceamento. Somente no século 19 foi organizada a Igreja Presbiteriana da Inglaterra (1876).

Na Escócia, os Padrões de Westminster foram prontamente adotados pela Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana, substituindo os antigos documentos que vinham desde a época de John Knox. Isso é notável se lembrarmos que a Assembléia de Westminster era composta de 121 ministros puritanos ingleses e apenas quatro ministros escoceses. Os presbiterianos escoceses agiram assim por causa dos méritos intrínsecos dos Padrões de Westminster e em especial devido ao seu desejo de promover a unidade entre os presbiterianos das Ilhas Britânicas. Através da imigração e do esforço missionário dos presbiterianos escoceses, esses padrões foram levados para a Irlanda do Norte, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Brasil e até aos confins da terra.


8. Relevância atual

A Confissão de Fé de Westminster é considerada uma das melhores e mais equilibradas exposições da fé reformada já escritas. Suas definições doutrinárias foram cuidadosamente elaboradas por alguns dos homens mais cultos e piedosos do século 17. Talvez a sua linguagem e algumas de suas ênfases pareçam estranhas à nossa mentalidade do início do século 21. Todavia, temos de reconhecer que a maior parte das suas formulações continuam plenamente válidas para os dias atuais. Embora seja um documento muito importante e valioso para os reformados, ela não está no mesmo nível da Escritura, ficando subordinada à mesma.

A Confissão de Fé pode ser considerada um pequeno manual de teologia bíblica. Seus 33 capítulos abordam os temas mais importantes da teologia cristã, conforme segue: a doutrina da Escritura Sagrada – cap. 1; a doutrina de Deus (ser e obras) – caps. 2-5; a doutrina do homem e da redenção – caps. 6-9; a doutrina da aplicação da salvação – caps. 10-15; a doutrina da vida cristã – caps. 16-19; a doutrina do cristão na sociedade – caps. 20-24; a doutrina da igreja – caps. 25-31; e a doutrina das últimas coisas – caps. 32-33.

Os principais temas da teologia reformada são abordados na Confissão de Fé de Westminster: (a) a autoridade das Escrituras – cap. 1; (b) a soberania de Deus e a eleição – caps. 3, 10; (c) o conceito do pacto – cap. 7; (d) a integração da doutrina com a vida cristã – cap. 16; (e) a relação entre lei e evangelho – cap. 19; (f) a importância da igreja e dos sacramentos – caps. 25-29; (g) o sistema de governo – cap. 31; (h) o relacionamento entre o reino de Deus e o mundo. Esperamos que essa considerações estimulem os leitores a conhecerem melhor esse documento histórico que é parte essencial da nossa identidade presbiteriana


Referências

A Confissão de Fé, O Catecismo Maior, O Breve Catecismo. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1991.
Hodge, A.A. Confissão de Fé de Westminster comentada por A.A. Hodge. São Paulo: Editora Os Puritanos, 1999.
Beveridge, William. A short history of the Westminster Assembly. Revised and edited by J. Ligon Duncan III. Greenville, SC: Reformed Academic Press, 1993.
De Witt, John Richard, Terry L. Johnson e F. Solano Portela. O que é a fé reformada? São Paulo: Editora Os Puritanos, 2001.
Lingle, Walter L. Presbyterians: their history and beliefs. Richmond: John Knox, 1960.


Apêndices

1. Documentos Aprovados pela Assembléia (Padrões Presbiterianos)
· Diretório do Culto Público (1644-1645
· Forma de Governo Eclesiástico (1644-1648)
· Confissão de Fé (1646-1648)
· Catecismos Maior e Breve (1647-1648)
· Saltério (1645)


2. Etapas do Preparo da Confissão de Fé

· Início do trabalho das comissões: outubro de 1644
· Debates no plenário: julho de 1645 a dezembro de 1646
· Apresentação à Câmara dos Comuns: 4 de dezembro de 1646
· Preparação e discussão dos textos bíblicos: até abril de 1647
· Apresentação da Confissão com passagens bíblicas: 29 de abril de 1647
· Impressão de 600 cópias para membros do Parlamento e da Assembléia
· Aprovação final pelo Parlamento: 1648


3. Características e relevância

· Expressão da teologia calvinista
· Ênfase na teologia federal ou do pacto
· Influência dos Artigos Irlandeses (James Ussher, 1615)
· Influência dos delegados escoceses – Alexander Henderson, Robert Baillie, George Gillespie, Samuel Rutherford


1. Os Padrões de Fé de Westminster:

Observação:
em 1991, a Casa Editora Presbiteriana publicou uma edição especial da Confissão de Fé e dos Catecismos contendo, além do texto desses documentos, a reprodução de todas passagens bíblicas pertinentes a cada tópico.


(a) Confissão de Fé: compõe-se de 33 capítulos, que abordam os seguintes tópicos:


A Doutrina das Escrituras
1. Da Escritura Sagrada


A Doutrina de Deus (Ser e Obras)
2. De Deus e da Santíssima Trindade
3. Dos Decretos Eternos de Deus
4. Da Criação
5. Da Providência


A Doutrina da Salvação (Objetiva)
6. Da Queda do Homem, do Pecado e do seu Castigo
7. Do Pacto de Deus com o Homem
8. De Cristo o Mediador
9. Do Livre Arbítrio


A Doutrina da Salvação (Subjetiva)
10. Da Vocação Eficaz
11. Da Justificação
12. Da Adoção
13. Da Santificação
14. Da Fé Salvadora
15. Do Arrependimento para a Vida
16. Das Boas Obras
17. Da Perseverança dos Santos
18. Da Certeza da Graça e da Salvação


A Doutrina da Vida Cristã
19. Da Lei de Deus
20. Da Liberdade Cristã
21. Do Culto Religioso e do Domingo


A Doutrina do Cristão na Sociedade
22. Dos Juramentos Legais e dos Votos
23. Do Magistrado Civil
24. Do Matrimônio e do Divórcio


A Doutrina da Igreja
25. Da Igreja
26. Da Comunhão dos Santos
27. Dos Sacramentos
28. Do Batismo
29. Da Ceia do Senhor
30. Das Censuras Eclesiásticas
31. Dos Sínodos e dos Concílios


A Doutrina das Últimas Coisas
32. Do Estado do Homem depois da Morte e da Ressurreição dos Mortos
33. Do Juízo Final


Apêndice
34. Do Espírito Santo
35. Do Amor de Deus


Observação quanto ao texto da Confissão de Fé encontrado em A Confissão de Fé, o Catecismo Menor e o Breve Catecismo: Exemplar do Líder, 1ª ed. especial (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1991):

Os Capítulos 34 e 35 foram acrescentados pela Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América (a Igreja do Norte) em 1903. A seção intitulada “A Autoridade da Confissão de Fé e dos Catecismos” (pág. 162-F) foi escrita pela Rev. John M. Kyle. (Ver a “Nota Histórica” que consta de edições anteriores da Confissão de Fé).

(b) Catecismo Maior: compõe-se de 196 perguntas e respostas distribuídas em três seções:


1ª Parte: Da finalidade do ser humano, da existência de Deus, da origem e da veracidade das Escrituras – Perguntas 1-5


2ª Parte: O que o ser humano deve crer sobre Deus – Perguntas 6-90
Deus ....................................... 6-8
Trindade ..................................9-11
Decreto ...................................12-14
Criação ....................................15-17
Providência ..............................18-20
Queda .....................................21-29
Pacto ......................................30-35
Cristo, o Mediador ......................36-56
Salvação ..................................57-61
Igreja ......................................62-65
União Vital ................................66, 69
Vocação Eficaz ..........................67-69
Justificação ..............................70-73
Adoção ....................................74
Santificação .............................75-78
Perseverança ...........................79-81
Últimas Coisas ..........................82-90


3ª Parte: O que as Escrituras requerem do ser humano como seu dever – Perguntas 91-196
A Lei de Deus ........................91-97
Os 10 Mandamentos ...............98-148
Pecado ...............................149-153
Meios de Graça .....................154
Palavra ...............................155-160
Sacramentos ........................161-177
Oração ................................178-185
O Pai Nosso ..........................186-196


(c) Breve Catecismo: possui 107 perguntas e respostas, sintetizando os pontos mais importantes dos documentos maiores. Inclui uma abordagem detalhada dos Dez Mandamentos (perguntas 41-81).


Alderi Souza de Matos
* Extraído do Portal Mackenzie - Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper.
site www.mackenzie.com.br/7060.html

Quais são as marcas da verdadeira Igreja?

Ainda que haja divergências entre os reformadores creio eu que, são três as marcas da verdadeira igreja de Cristo. Quero colocar em primeiro lugar que entendo que a fiel pregação da Palavra e seu reconhecimento como padrão de fé e de prática, é por excelência a marca da Igreja. No entanto, a reta administração dos sacramentos é uma verdadeira marca da Igreja, assim como, o exercício da disciplina que, embora não seja encontrado exclusivamente nela, é, contudo, absolutamente essencial para a pureza da Igreja.


A Confissão Belga[1] trata desta três marcas da Igreja, contudo, ela une as três em uma só marca quando ressalta que estas coisas devem ser conduzidas de acordo com a Palavra de Deus. A Confissão de Westminster por sua vez, além de abordar sobre a pureza doutrinária e a disciplina como excelente qualidade da igreja, ela cita que a característica indispensável ao ser da igreja é a “profissão da religião verdadeira” BERKHOF. Teologia Sistemática, p. 581.


A PREGAÇÃO VERDADEIRA DA PALAVRA


Esta é a marca que mais distingue a Igreja de Jesus e a torna diferente de todas às comunidades da terra: a pregação verdadeira da Palavra. Não existiria Igreja sem que houvesse este sinal. Ela é o produto da pregação da Palavra, porque a fé vem por ela (Rm10.17). A fim de que as pessoas venham ao conhecimento salvador de Jesus Cristo, elas têm que ouvir e crer na pregação da Palavra. A importância da Igreja permanecer na Palavra é evidenciada pelo próprio Senhor da Igreja:


Disse, pois, Jesus, aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará… Quem é de Deus ouve as palavras de Deu; por isso não me dais ouvidos, porque não sois de Deus. (Jo 8.31, 32; e ainda, Jo 12.47, 48; 14.21-23).


A fidelidade da Igreja no entendimento e transmissão da Palavra de Deus é o que mede a sua pureza e veracidade como Igreja de Cristo. Quanto mais fiel for a pregação da Palavra, mais verdadeira será a Igreja. A vida da verdadeira Igreja de Cristo e sua manutenção depende primordialmente da sua fidelidade à Palavra de Deus. Sobre esta matéria é necessário a compreensão de que não igreja perfeita. Mas, como coloca o Dr. Heber “não é necessário que ela seja perfeita para ser verdadeira. O que importa é que ela seja a mais fiel possível na tarefa da pregação da Palavra de Cristo.” CAMPOS, Heber Carlos. Eclesiologia, p. 20 e 21.


Como vimos, esta é a marca mais importante, pois desta depende as outras. Através desta marca podemos estabelecer o critério principal pelo qual nós reconhecemos ser uma igreja verdadeira. A fiel pregação da Palavra não implica em uma perfeição na pregação, mas sim num comprometimento em buscar sempre a pureza de uma doutrina sadia que não venha colocar em risco os principais fundamentos bíblicos


A CORRETA ADMINISTRAÇÃO DOS SACRAMENTOS


Administrar corretamente os sacramentos nada mais é do que a própria exposição da Palavra de Deus de outra maneira: por demonstração e tornada visível aos fiéis. No entanto, a simples administração dos sacramentos fica desprovida de sentido se não é acompanhada da Palavra, pois é ela que os explica e direciona. A administração dos sacramentos fica sem significado se não há a explicação que vem da Palavra. Somente os ministros da Palavra, devidamente ordenados para essa função, têm autoridade para ministrar os sacramentos. Sobre esse assunto a Escritura é clara, nas palavras do próprio Jesus que diz aos líderes de Sua Igreja que façam discípulo, usando o processo de administração dos sacramentos: batizá-los (Mt 28.19); e conduzi-los a participarem do Seu corpo e do Seu sangue (Lc 22.19, 20). CAMPOS, Heber Carlos. Eclesiologia,, p. 20 e 21.


O EXERCÍCIO FIEL DA DISCIPLINA


O fiel exercício da disciplina, além de ser encontrado abundantemente nas Escrituras, é extremamente necessário à Igreja, tendo em vista que ela prima pela preservação da vida piedosa, da pureza doutrinária e da santidade dos sacramentos. Desta forma ela é uma marca da Igreja que, com relação às outras duas, faz valer a importância sacrossanta.


As consequências nas igrejas que desprezam a aplicação da disciplina nas situações em que ela é exigida são grandemente prejudiciais para o testemunho das verdades bíblicas e do relacionamento com as coisas santas. Sem disciplina para os casos de falta de conformidade com a vontade de Deus revelada em Sua Palavra certamente caracterizará o desprezo pelo sagrado, tanto pela exposição das Escrituras quanto pela ministração dos sacramentos. Desta forma Berkhof coloca que a fidelidade de qualquer igreja dependerá do seu empenho na aplicação da disciplina cristã, pois é a Palavra de Deus que incentiva esta prática na Igreja de Cristo (cf. Mt 18.18; 1 Co 5.1-5, 13; 14.33, 40; Ap 2.14, 15, 20). BERKHOF, p. 581.


[1] A Confissão Belga foi um credo de 37 artigos. Com o passar do tempo ele foi emendado e seguido por vários sínodos, chegando atéo sínodo de Dort (1619). Este credo tornou-se o padrão das igrejas reformadas da Holanda e da Bélgica (Vd. CHAMPLIM, Op cit. v.1, p. 846).


Você está cheio do Espírito Santo?

O apóstolo Paulo, preso em Roma, escreve sua carta à igreja de Éfeso, capital da Ásia Menor, e ordena: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18). Jesus morreu, ressuscitou e subiu ao céu. Então, o Espírito Santo, o outro Consolador, desceu e desceu para ficar para sempre conosco. Sem a obra do Espírito Santo jamais haveria um só convertido na terra, pois é ele quem aplica a obra da redenção. Concordo com Charles H. Spurgeon, quando disse que é mais fácil acreditar que um leão tornar-se-á vegetariano do que acreditar que uma pessoa só possa ser salva sem a obra do Espírito Santo. Todo crente é regenerado, habitado e selado com o Espírito Santo, mas nem todo crente está cheio do Espírito Santo. Uma coisa é ter o Espírito Santo; outra coisa é o Espírito Santo nos ter. Uma coisa é ter o Espírito Santo presente; outra coisa é ter o Espírito presidente. O texto em apreço nos ensina quatro verdades.


Em primeiro lugar, a plenitude do Espírito é uma ordem expressa de Deus. Há duas ordens no texto. Uma negativa e outra positiva. A negativa é não se embriagar com vinho; a positiva é ser cheio do Espírito Santo. Assim como a embriaguez é um pecado; também o é a ausência da plenitude do Espírito Santo. Se a embriaguez produz vergonha e dissolução, a plenitude do Espírito Santo desemboca em comunhão, adoração, gratidão e serviço.



Em segundo lugar, a plenitude do Espírito é uma exigência a todos os crentes. O ordem para ser cheio do Espírito é endereçada a todos e não apenas a alguns crentes. Os líderes, os anciãos, os adultos, os jovens, as crianças, os ricos, os pobres, os doutores, os analfabetos, todos os salvos, sem exceção, devem ser cheios do Espírito Santo. A plenitude do Espírito não deve ser uma exceção na igreja; é a norma para todos os crentes.



Em terceiro lugar, a plenitude do Espírito Santo é uma experiência que deve ser repetida continuamente. Não se trata de um acontecimento único e irrepetível como é o batismo pelo Espírito no corpo de Cristo. A plenitude de ontem não serve para hoje, assim como a vitória do passado não garante vitória no presente. Todo dia é dia de ser cheio do Espírito Santo. Todo dia é tempo de andar com Deus e experimentar o extraordinário de Deus. As melhores experiências do passado podem ser medidas mínimas do que Deus pode fazer em nossa vida no futuro.



Em quarto lugar, não podemos produzir a plenitude do Espírito, podemos apenas nos esvaziar para sermos cheios. A plenitude do Espírito Santo não é uma realidade produzida por nós. Não administramos essa experiência. Ela vem do alto, de cima, do céu. Devemos ser como vasos vazios, puros e disponíveis para o Espírito Santo nos encher. Não há limitação no Espírito Santo. Podemos ser cheios a ponto de sermos tomados de toda a plenitude de Deus. Você está cheio do Espírito Santo?



Rev. Hernandes Dias Lopes

Atributos de um homem de Deus

A viúva de Sarepta, dirigindo-se ao profeta Elias, disse: “Agora sei que és homem de Deus…” (1Rs 17.24). Quais foram os atributos desse homem de Deus?


Em primeiro lugar, Elias foi um homem que andou na presença de Deus (1Rs 17.1). Elias era um homem desconhecido, de uma família desconhecida, de um lugar desconhecido, mas um homem levantado por Deus em tempo de crise política e apostasia religiosa. Elias apresentou-se ao ímpio rei Acabe, para trazer-lhe uma palavra de juízo. Porque Israel estava rendido à idolatria, servindo a Baal, o deus da prosperidade”, Deus fechou as comportas do céu e as chuvas foram retidas por três anos e meio. A seca implacável não foi apenas um fenômeno da natureza, mas um juízo divino ao povo rebelde. Elias disse ao rei: “Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos, segundo a minha palavra”. Elias é um homem de Deus, porque vive na presença de Deus em vez de andar segundo os ditames do mundo.


Em segundo lugar, Elias foi um homem que orou por grandes causas (1Rs 17.19-22). Inobstante Elias ser um homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos (Tg 5.17), foi poderosamente usado por Deus tanto na oração como na pregação. Elias falou a Deus e falou ao povo. Ele orou com instância para não chover, e não choveu (Tg 5.17). Ele orou, e o filho único da viúva de Sarepta ressuscitou (1Rs 17.19-22). Ele orou e o fogo do céu caiu, numa retumbante demonstração do poder de Deus diante da impotência dos ídolos (1Rs 18.36-39). Ele orou e o céu deu chuva novamente (Tg 5.18; 1Rs 18.42-45). Tiago ilustrou o princípio bíblico: “Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo”, inspirado na vida de Elias (Tg 5.16). Escasseiam-se em nossa geração os homens de oração. Precisamos não apenas de homens cultos e influentes na sociedade, mas, sobretudo, de homens conhecidos no céu, homens de oração. Nosso maior anelo é que se levantem, em nosso tempo, homens que tenham a humildade de se dobrarem diante de Deus, para que tenham a coragem de se levantarem diante dos homens.


Em terceiro lugar, Elias foi um homem que corajosamente confrontou o pecado (1Rs 17.1; 18.18; 18.21). Elias não foi um profeta da conveniência. Não fez do seu ministério uma plataforma de relações públicas. Jamais negociou a verdade. Nunca deixou de atacar firmemente as fortalezas do pecado. Anunciou o juízo de Deus sobre a nação apóstata. Confrontou o perverso rei Acabe, chamando-o de perturbador de Israel. Denunciou a atitude covarde do povo que vivia coxeando entre dois pensamentos. Desafiou os profetas de Baal, expondo aos olhos da nação a inoperância de seus ídolos. Precisamos de homens que tenham coragem de denunciar o pecado no palácio e na choupana. Na política e na religião. Na vida dos líderes e dos liderados.


Em quarto lugar, Elias foi um homem em cuja boca a palavra de Deus era a verdade (1Rs 17.24). A viúva de Sarepta ao ver seu filho morto retornando à vida pela oração de Elias, afirmou: “… a palavra de Deus na tua boca é verdade”. Uma coisa é pronunciar a palavra de Deus; outra coisa é ser boca de Deus. Nem todas as pessoas que proclamam a palavra de Deus são boca de Deus. O profeta Jeremias diz que aqueles que são boca de Deus arrependem de seus pecados, andam na presença de Deus e apartam o precioso do vil (Jr 15.19). E. M. Bounds disse, com razão, que homens mortos tiram de si palavras mortas e palavras mortas matam. Lutero dizia que sermão sem unção endurece os corações. Nas palavras de Jonathan Edwards, precisamos de homens que tenham luz na mente e fogo no coração. Homens que conheçam não apenas a respeito de Deus, mas, sobretudo, conheçam a intimidade de Deus.


Que os homens presbiterianos, sigam as mesmas pegadas do profeta Elias, e sejam, em nossa geração, verdadeiros homens de Deus!


Rev. Hernandes Dias Lopes

O que você ainda está esperando?

A proclamação do evangelho é uma missão imperativa, intransferível e impostergável. É sobre esses três aspectos da missão que escreverei.


Em primeiro lugar, a proclamação do evangelho é uma missão imperativa. O próprio Jesus ordenou: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). A igreja de Deus não precisa esperar nenhum fato novo para proclamar o evangelho de Cristo em todo mundo e a toda criatura. Uma ordem já foi dada e deve ser obedecida. Quem deu a ordem foi o próprio Jesus, que morreu pela igreja e ressuscitou para sua justificação. Quem deu a ordem foi o próprio dono da igreja. O universo inteiro ouve a sua voz e obedece: o sol, as estrelas, o mar, o vento, os demônios e os anjos. Será que nós, povo remido pelo sangue de Cristo, seríamos os únicos a questionar sua voz, a adiar sua ordem e e desobedecer o seu mandato? Nosso papel não é discutir a ordem, mas obedecê-la. Nossa missão não é discutir a obra, mas fazer a obra. A salvação é obra de Deus. Tudo já foi feito. O banquete da graça já está pronto. Cabe a nós ir ao mundo, anunciar essa boa-nova e contar aos pecadores que Deus os amou e enviou seu Filho para salvá-los do pecado, da morte e do inferno. Você está pronto a obedecer?


Em segundo lugar, a proclamação do evangelho é uma missão intransferível. O propósito de Deus é o evangelho todo, por toda a igreja, em todo o mundo. Nenhuma outra instituição está credenciada a pregar o evangelho. Os anjos anelam esse sublime privilégio, mas Jesus comissionou apenas a igreja para cumprir essa missão. A igreja é o método de Deus para alcançar o mundo. Conta-se que, quando Jesus terminou sua obra salvadora na terra, morrendo pelos nossos pecados e ressuscitando para a nossa justificação, ao voltar ao céu para assentar-se no seu trono de glória, um anjo perguntou-lhe: “Senhor, tu concluíste tua obra na terra. Quem, porém, vai contar essa boa-nova para o mundo inteiro?”. Jesus respondeu-lhe: “Eu deixei doze homens preparados para cumprir essa missão”. O anjo, então, redarguiu: “Mas, Senhor e, se eles falharem?”. Jesus respondeu: “Se eles falharem, eu não tenho outro método”. Nós somos o método de Deus. Nós somos os atalaias de Deus a avisar ao mundo acerca de sua necessidade de se preparar para encontrar com Deus. Se o ímpio não for avisado e morrer na sua impiedade, Deus cobrará de nós o seu sangue. Não podemos calar a nossa voz. Deus nos constituiu ministros da reconciliação. Somos embaixadores em nome de Cristo, rogando aos homens que se reconciliem com Deus.


Em terceiro lugar, a proclamação do evangelho é uma missão impostergável. A proclamação do evangelho é uma missão urgente. Não pode esperar. Quando John Kennedy foi assassinado em Dallas, no Texas, em 22 de novembro de 1963, em apenas doze horas, a metade do mundo, ficou sabendo. Jesus Cristo, o Filho de Deus, morreu na cruz pelos nossos pecados há dois mil anos e quase a metade do mundo, ainda não ouviu essa boa-nova do evangelho. Não podemos calar a nossa voz. Precisamos ganhar esta geração em nossa geração. Um jovem índio preparava-se para ser o líder de sua tribo, quando caiu gravemente enfermo. O jovem índio já desfalecido no colo de sua mãe, perguntou-lhe: “Mamãe, eu estou morrendo e estou com muito medo. Para onde irá a minha alma?”. A mãe, aflita, respondeu-lhe: “Meu filho, eu não sei”. Aquele jovem desesperado, partiu para a eternidade sem saber para onde ia. Meses depois, chegou àquela aldeia um missionário pregando o evangelho e falando das boas-novas da salvação. De uma cabana da aldeia, saiu uma anciã com os olhos vermelhos de tanto chorar, correu em direção ao missionário. Agarrou-o pelos braços e disse-lhe aos prantos: “Por que você não veio antes? Por que você não veio antes?” Era a mãe daquele que jovem que morreu sem saber para onde estava indo. O que você ainda está esperando? É tempo de proclamar o evangelho!


Rev. Hernandes Dias Lopes

A Origem da Família (Mateus 1.3-6)

INTRODUÇÃO.


O assunto que trataremos nas próximas lições (8) está nas manchetes dos jornais. É um tema atual, pertinente e urgente. A maior crise que estamos vivendo é a crise da família. 1


1. O que é a família?
2. Quando surgiu?
3. Como surgiu?


O nosso estudo hoje versará sobre essas questões:


I. A família foi planejada.


A origem da família é uma questão que por vezes “paira” em nossos pensamentos. A família não aconteceu simplesmente, nem apenas se desenvolveu com o tempo dentro de um contexto social. A família foi planejada. Deus a planejou; ele a fez existir a partir de sua palavra (Gn 1. 26-27) 2 . O Evangelho de João 1.1-4 nos mostra que todas as coisas vieram a existir por ação direta de Cristo.


Deus se envolveu no exercício maravilhoso de criar, homem e mulher, colocando-os frente-a-frente como pessoas iguais, mesmo que com diferentes anatomias e papéis (Gn 2.18-24). O relato da criação nos dá, em forma embrionária, a prescrição de Deus para família. Isto é: homem e mulher se ajuntarão fisicamente tornando-se um núcleo de crescimento e desenvolvimento (Gn 1.28).


II. O propósito da família


1. Exemplificar o relacionamento do Deus Triúno: 3 devemos entender que o Senhor criou Adão e Eva como expressão do relacionamento perfeito que existe na Trindade desde a eternidade (Gn 1.26-28).


2. A família não é um fim em sí mesmo: devemos entender que a família é um meio de glorificarmos a Deus. O apóstolo Paulo nos instrui dizendo “quer comais quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1Co 10.31). Nosso compromisso como família é expressar a glória manifestada na comunhão de amor, submissão e serviço existentes em Deus Pai, Filho e Espírito Santo (Jo 17.21-24).


1 - LOPES, Hernandes dias. Famílias em perigo. Em http://hernandesdiaslopes.com.br/2013/05/familias-em-perigo/#.Vtc_lUB8cbh
2 - GRONINGEN, Gerard van e Harriet. A família da aliança. São Paulo, Editora Cultura Cristã, p. 31
3 - Para melhor desenvolvimento leia: Timothy Lane e David Paul Tripp. Relacionamentos: uma confusão que vale a pena. Editora Cultura Cristã.

O significado do casamento

Entendendo biblicamente o significado do casamento


“Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” (Gn 1.26-27)


“18Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.19Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todos os animais do campo e todas as aves dos céus, trouxe-os ao homem, para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a todos os seres viventes, esse seria o nome deles.20Deu nome o homem a todos os animais domésticos, às aves dos céus e a todos os animais selváticos; para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea. 21Então, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. 22E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe.23E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada. 24Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.25Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam.” (Gn 2.18-27)


“22As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor;23porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo.24Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido.25Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela,26para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra,27para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.28Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama.29Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja;30porque somos membros do seu corpo.31Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne.32Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja.33Não obstante, vós, cada um de per si também ame a própria esposa como a si mesmo, e a esposa respeite ao marido.” (Ef 5.22-33).


Entendendo os pontos principais


• A família não surgiu do acaso nem de uma construção social;
• A Bíblia nos ensina que a família foi planejada pelo Deus trino, que a fez existir pelo poder de sua Palavra (Gn 1.26-27);
• O casamento é a origem da família;
• Pai, Filho e Espírito Santo, o único e verdadeiro Deus, criou o homem e comunicou sua imagem a eles;
• Assim como há quebra no relacionamento divino, não podemos romper o casamento;
• O propósito do casamento é glorificar a Deus expressando o amor e a vida Dele no relacionamento homem e mulher;
• O casamento também não é um simples contrato – que pode ser quebrado ou caducar;
• O casamento é uma aliança;
• O casamento é uma realidade espiritual, uma analogia entre a relação de Cristo e sua Igreja e a relação homem mulher (Ef. 5.22-33);
• No casamento não há diferença de dignidade, mas de papéis;
• A esposa deve submissão ao seu marido e não a reivindicar o amor de seu esposo (Ef 5.21);
• E o esposo deve amar sua esposa e não exigir a sua submissão (Ef 5.21);


Compartilhando o que você aprendeu


• O que você aprendeu de novo ou para o que foi despertado em sua vida cristã com o estudo desta semana?


Questões para aplicação


1. Que diferença há entre crermos que o casamento é um construto social ou uma ordem divina?
2. Por que a sociedade hoje tenta, de todas as formas, destruir a instituição do casamento nos moldes bíblicos?
3. O que no relacionamento trinitário deve ser imitado por nós no casamento?
4. Por que há tantos divórcios hoje em dia?
5. Qual a diferencia entre uma aliança espiritual e um simples contrato?
6. Em que medida temos vivido essa dimensão nos nossos relacionamentos conjugais?
7. As esposas têm vivido numa perspectiva de submissão e sujeição aos seus esposos, do mesmo modo como ao Senhor?
8. Os maridos têm devotado à sua esposa um amor sacrificial, cuidando e zelando das mesmas como parte mais frágil?
9. Quanto tempo e carinho temos dispensados aos nossos cônjuges?
10. Quem é mais importante em nossas casas? Coisas ou pessoas?
11. Quais justificativos temos dado aos nossos pecados de não devotar ao nosso cônjuge aquilo que a Palavra nos admoesta?
12. O que nos falta para sermos fiéis à palavra do Senhor?
13. Até quando resistiremos em sermos submissos à Sua Palavra?
14. Como nos referimos aos nossos cônjuges diante das pessoas?


Para saber mais – recomendações de leitura


- SEGUNDA CONFISSÃO HELVÉTICA DE 1566 XXIX. Do celibato, do casamento, e da administração dos negócios domésticos;
- CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER 1647. XXIV Do casamento e do divórcio;
- A família da aliança. Gerard Van Groningen. Ed. Cultura Cristã.


Ensino adicional sobre o tema


As mulheres é devido:

• Honrar ao esposo independentemente da sua posição social – Et 1:20
• Cuidar pelo bom andamento da casa – Pv 31:27 (31:10-31 -> a mulher virtuosa)
• Cuidar da indissolubilidade do casamento – 1 Co 7:10, 13
• Submissas como ao Senhor – Ef 5:22 e Cl 3:18
• Respeitáveis, não maldizentes, temperantes e féis em tudo – 1 Tm 3:11
• Pelo bom proceder e submissão ganhar o marido incrédulo – 1 Pe 3:1

Aos homens é devido:

• Respeitá-las (1 Pe 3:7); Amá-las (Ef 5:25; Cl 3:19);
• Considerá-las como a si mesmos (Mt 19:5; Gn 2:23) – Carne da carne, osso do osso;
• Ser-lhes fiel (Pv 5:19; Ml 2:14-15); Viver com ela por toda a vida (Gn 2:24; Mt 19:3-9);
• Consultar com elas (Gn 31:4-7) – Jacó, ouviu Lia e Raquel quanto a sair das terras de Labão;


Primeiro Culto Protestante no Brasil

Nesta última quinta-feira comemoramos mais um aniversário importante! No dia 10 de março de 1557, um grupo de huguenotes (protestantes calvinistas franceses), realizou o primeiro culto protestante no Brasil, no Forte Coligne, situado na Baía de Guanabara, Rio de Janeiro. Esse grupo de protestantes chegou ao Brasil a convite do astuto Nicolas Durant de Villegaignon que, por meio de manobras políticas, conseguiu recursos financeiros e algumas embarcações com o rei Henrique II, para realizar seu projeto de poder; posteriormente Villegaignon conseguiu também contar a presença destes homens tementes a Deus junto ao reformador suíço João Calvino, convencendo-o que essa seria uma presença importante em seu projeto. Na verdade, o intuito de Villegaignon era a autopromoção em novas terras. Depois de uma longa e turbulenta viagem realizaram o primeiro culto protestante em terras brasileiras, sob a liderança do pastor Pierre Richier. Além de outros irmãos, o historiador Jean de Léry estava presente.


Alguns meses depois, em 1558, devido a discordâncias doutrinarias, os protestantes foram expulsos da colônia que se formava e obrigados a retornar para a França. Cinco deles não puderam realizar a viagem de retorno, devido à falta de suprimentos para a viagem. Assim, Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourbon, André de La Fon e Jacques Le Balleur, decidiram permanecer em solo brasileiro. Eles não foram molestados inicialmente, mas em pouco tempo, foram forçados a redigir uma confissão de fé que, na verdade, serviria de prova contra eles mesmos, uma vez que rechaçavam as crendices e idolatrias católicas. O documento que leram para reafirmar sua fé, mesmo diante da morte, é a primeira “Confissão de Fé” feita no solo brasileiro, a Confissão de Fé de Guanabara.


Após o documento ser avaliado, os calvinistas foram declarados heréticos e condenados a morte. No dia 9 de fevereiro de 1558, Jean du Bourdel, Matthieu Verneil e Pierre Bourdon foram estrangulados e lançados ao mar. André La Fon foi poupado por ser o único alfaiate da colônia. Jacques Le Balleur fugiu, mas foi preso e também morreu enforcado anos depois. A Confissão de Fé da Guanabara é um testemunho da perseverança na fé de homens dos quais esse mundo não é digno. Nos inspira a ficar firmes mesmo diante dos poderes deste mundo e da morte, confiados na absoluta soberania de Deus!


Rev. Alexandre Ribeiro Lessa

O lugar da oração na vida espiritual - "Orai sem cessar". (Tess. 5:17)

A proclamação do evangelho é uma missão imperativa, intransferível e impostergável. É sobre esses três aspectos da missão que escreverei.


Para a igreja atual a oração está na relação diária, no cotidiano da contemplação para a ação. Esta é uma reversão na igreja. A igreja se preocupa em termos de oração com a praticidade e jamais com a contemplação do Pai. Exemplo: Marta estava ocupada com os afazeres, com a praticidade. Maria estava preocupada com a melhor parte, a contemplação, como o desejo de se encontrar com o Pai. Maria experimentou a graça de Deus, por estar contemplando a sua presença ao seu lado. Na ação, exaltamos o homem, agente que realiza coisas que engrandecem o poder dele, coisas que exaltam o ministério dele, não a contemplação do Pai.


Infelizmente, o espírito do Marketing das empresas, invadiu nossas igrejas para a realização delas mesmas. É a chamada vida narcisista, ou seja, vida totalmente egoísta. E vemos que a igreja com esta prática narcisista, tem negado o altruísmo, o crescimento pessoal do nosso próximo e a total dependência do Pai. Todas estas coisas relacionadas com a ação, tem a ver com o irreal, jamais do real. O mundo ilusório leva-nos a uma obsessão triste e frustrante. Isto não mostra nenhuma proposta de contemplação do Pai. Somos uma igreja que não considera a oração como uma agenda indispensável para a nossa produção espiritual. Precisamos entender que a oração, gera uma amizade com Deus, a qual transforma os nossos relacionamentos com o próximo e conosco mesmos. Não é fórmula utilitária, mas é algo íntimo e transformador.


A contemplação não tem sido buscada pelas igrejas, pois, a visão normal hoje, é funcional e não contemplativa. Somos nas igrejas, linhas montadoras de trabalho, não linhas de modelos de oração. Não celebramos a criação, na nossa relação com o Pai. Não recebemos o Pai com gratidão no coração. Não atendemos a resposta profunda que há no Catecismo, de que o fim principal do homem, é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. A contemplação é um ato de amor, de reconhecimento da necessidade de dependência de Deus e não de nós mesmos. A introspecção é uma atitude egoísta, mas a contemplação visa a criação do Pai, visa a soberania de Deus Pai. Que ele tenha misericórdia de nós e nos ajude a olhar para a oração como um ato de contemplação, não de narcisismo.


Pr. Alcindo Almeida

Salvação Graciosa - 2 Ts 2.13-14

Paulo agradece a Deus pela eleição dos irmãos para a salvação. Entende-se que Deus escolheu desde a eternidade, por causa do seu grande amor, um povo para ser objeto da salvação graciosa em Cristo Jesus. Nós, a igreja de Cristo, somos salvos pela graça e não por obras ou qualquer merecimento. O homem pecador não pode fazer nada de si mesmo que justifique a sua eleição para a salvação eterna. A eleição decorre do amor incondicional de Deus que nos predestinou para ele por meio de Cristo Jesus. A salvação somente é possível porque Jesus Cristo derramou o seu precioso sangue na cruz do calvário para remissão dos nossos pecados; assim podemos afirmar que “o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado”.


Entende-se pelo texto que aqueles que são eleitos para a salvação são também santificados pelo Espírito Santo e creem na verdade do Evangelho. “Sem a santificação ninguém verá a Deus”. Portanto, o Espírito Santo aplica a santidade de Cristo aos eleitos para que eles graciosamente possam entrar no reino dos céus e assim desfrutar da plena salvação quando Cristo voltar. Todos aqueles que foram eleitos desde o princípio ouvirão o Evangelho e crerão na mensagem contida nas escrituras. Como igreja, precisamos anunciar a salvação em Cristo, até aos confins da terra para que o Espírito Santo traga os eleitos de todas as nações para a fé salvadora em Cristo. A fé vem pelo ouvir a pregação da Palavra de Deus. Portanto, Deus chama eficazmente através das Escrituras os seus escolhidos para a salvação eterna.


Você ora agradecendo a Deus pela sua salvação? Temos que agradecer a Deus por todas as bênçãos recebidas, pelas tribulações, mas, principalmente pela redenção eterna em Cristo. Se o texto nos mostra que devemos agradecer pela eleição dos irmãos, quanto mais pela nossa própria. O desafio é que sejamos diariamente agradecidos a Deus pela imerecida e graciosa redenção em Cristo. Porque pela graça somos salvos...


Messias de Paula Souza

“Glorie-se no Senhor” - 1Co 1.26-31

Por que a nossa salvação deveria nos conduzir a uma vida de glorificação a Deus. Primeiro porque a nossa redenção não está fundamentada em nossa sabedoria, nem por sermos poderosos, e nem por sermos de nobre nascimento (v26), mas unicamente na graça de Deus. Portanto, não temos porque nos vangloriar ou exaltar-nos diante de Deus. Assim, gloriemo-nos no Senhor.


Depois, porque Cristo Jesus foi feito para nós, e isso pelo próprio Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção. Portanto, por meio dele recebemos tudo o que nos faz sábios para a salvação. Éramos tolos, mas em Cristo somos sábios. Éramos culpados, passíveis de punição justa (inferno) e Jesus foi feito justiça para nós. A justiça de Cristo é aplicada a nós, pois Ele na cruz foi punido a nosso favor. Por isso somo livres da condenação eterna que é devida aos pecadores, portanto gloriemo-nos no Senhor.


A santidade de Cristo também foi aplicada a nós para a salvação. Estávamos depravados, corrompidos em todo o nosso ser (pensamentos, sentimentos e desejos), porém Cristo se tornou para nós santificação. Por isso somos a nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus. Por fim Ele foi feito a nós completa redenção. Ele fez expiação pelos nossos pecados, nos resgatou do império das trevas e nos transportou para o reino do filho do seu amor. Portanto gloriemo-nos no Senhor.


Portanto, depois de examinar sobre a salvação graciosa, e de concluir que não fomos escolhidos por sermos sábios, poderosos ou de nobre nascimento, o que cristão deve fazer é gloriar-se no Senhor pela redenção. Longe de nós toda vanglória bem como nos gloriarmos em Paulo, Apolo, Cefas ou qualquer outro nome (1Co 3.21,22). Conclui-se que Deus repudia a vanglória e ensina que Ele e suas obras são a razão de nos gloriarmos: “Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR” (Jr 9.23,24).


Pr. Licenciado – Messias de Paula Souza

“Enviados ao mundo para testemunhar” - Jo 20.19-23

Nesse texto temos o envio dos discípulos ao mundo para pregar o Evangelho de Jesus Cristo. Precisamos, como Igreja de Cristo, aprender algo muito importante relacionado ao “Ide” de Jesus. Para isso comentarei sobre o v22 que diz: “E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo”.


Por que testemunhamos tão pouco sobre Jesus Cristo? Por que a Igreja se esconde do mundo e não vai a ele como ordenou Jesus? “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura”. Quantas pessoas já vieram a Cristo por intermédio do seu testemunho? João Calvino comentando o verso acima disse: “Eles receberam o Espírito Santo de maneira que foram só salpicados pela sua graça, mas não foram preenchidos com força total. O que aconteceu em Pentecostes quando foram cheios do Espírito Santo”.


Nota-se pelo contexto da passagem que mesmo depois de receberem o Espírito Santo os discípulos continuaram com medo, acovardados e reunidos às escondidas (v19,26,27). Portanto, não houve nenhuma mudança de atitude e nem disposição alguma dos discípulos para saírem a testemunhar de Cristo ao mundo. Pelo contrário, alguns deles foram ao mar de Tiberíades pescar, não homens, mas peixes


A resposta às perguntas acima é simples. Testemunhamos pouco, nos escondemos, não obedecemos ao “Ide” porque não somos cheios do Espírito Santo. Paulo disse: “Mas, enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18b). Somos crentes verdadeiros e salvos, temos o Espírito de Deus habitando em nós. Entretanto, necessitamos ser cheios do Espírito Santo para que saiamos da nossa zona de conforto e encorajados por ele falemos de Cristo às pessoas que estão à nossa volta. A prova disso é que os discípulos, somente após o Pentecostes, saíram obedientes ao “Ide” de Jesus e foram anunciar o Evangelho aos confins do mundo. Jesus havia dito a eles: “Permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.49; At 1.8ª). Assim, é o poder do Espírito de Deus que nos capacita, encoraja e nos faz sairmos testemunhando sobre a obra de Cristo aos nossos semelhantes.


Quero ser cheio do Espírito. O que preciso fazer? Vou dar algumas dicas que julgo fundamentais: Estudar as Escrituras, louvar de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, ser grato a Deus por tudo, ser humilde, temer a Cristo (Ef 5.18-21), a comunhão, e muita oração, não pouca (At 1.14), etc. Se não fizermos assim, seremos crentes medrosos, tímidos, frios, carnais. Sempre teremos vergonha do Evangelho, da igreja, e do próprio Cristo. Oro para que Deus, por sua graça, nos desperte do comodismo e nos encha do seu Santo Espírito a fim de sermos testemunhas vivas de sua morte e ressurreição.


Pr. Licenciado - Messias de Paula Souza

Disciplinas Espirituais – Meditação

1. Definição – Submeter a exame interior; estudar; ponderar; refletir; pensar. A Meditação é uma disciplina espiritual que faz com que a pessoa reflita, pondere e pense a respeito do objeto averiguado. É uma atividade que deve ser desempenhada pelo crente nos seus momentos devocionais.


2. Meditação na Bíblia – Ao longo das páginas das Escrituras encontramos diversas referências à prática da meditação entre os filhos de Deus.
2.1. No AT – Js 1.8; Jó 5.27; Sl 1.2; 19.14; 27.4; 39.3; 63.6; 77.3; 104.34; 119.15,27,48,78,97,99,148; ; 145.5; Pv 15.28.
2.2 No NT – Lc 2.19; 10.39; At 10.19; 1 Tm 4.15.


3. Importância da Meditação:
3.1. Possibilita maior conhecimento do objeto sobre o qual estamos meditando – Sl 1.2.
3.2. Nos ajuda a prestarmos a Deus um culto como ele requer de nós – Rm 12.1.
3.3. Auxilia-nos num proceder correto diante das questões da vida – Pv 15.28.


4. Principais tipos bíblicos de Meditação:
4.1. Sobre nós mesmos – Uma das mais importantes formas de meditação é aquela que nos leva a olharmos para dentro de nós, sondando as inquietações de nossa alma. Quando paramos e argüimos nossa alma, somos levados a um conhecimento mais profundo de nós mesmos (Sl 42.5). Obs: Quantas vezes perguntamos à nossa alma: Por que estás abatida? Por que te perturbas dentro de mim?
4.2. Sobre Deus – Nada promove mais conhecimento de Deus do que meditar acerca das verdades reveladas sobre sua própria pessoa. Conhecimento de Bíblia não significa, necessariamente, entendimento do que aquelas palavras significam. O verdadeiro conhecimento de Deus é aquele que vem acompanhado ou precedido por uma meditação acerca do que sua revelação os quis dizer (Sl 27.4).
Obs: Mt 3.17; 6.25-33 – o que podemos perceber deste texto quando meditamos sobre ele e que não percebemos se só o conhecermos por leitura.
4.3. Sobre a vida – Visto que a vida é o palco onde Deus se revela aos homens, é o lugar onde a beleza de Deus deve transparecer ao mundo perdido, meditar a respeito das circunstâncias que nos cercam é importante para vivermos de modo mais saudável e agradável a Deus (Lc 2.19)


5. Objeções à prática da meditação:
5.1. Coisa de Oriental – Este é um argumento que muitos têm utilizado para alegar a incompatibilidade da prática da meditação com a vida ocidental É verdade que, visto que tal prática faz parte da cultura oriental, é muito mais fácil para eles a exercitá-la. No entanto, não podemos nos esquecer de que os grandes homens da Bíblia e da história foram homens que dedicaram tempo para meditar nas verdades de Deus.
5.2. Perda de tempo – Este argumento também faz parte do discurso dos que não adotam esta prática. Por conta do pragmatismo no qual estamos inseridos, dedicar trinta minutos por dia em devoção é, para muitos, muito tempo para ser jogado fora desta maneira.


Obs: A conseqüência disso é a péssima qualidade de vida no que se refere ao conhecimento da Palavra, conhecimento cultural, musical, bem como outras áreas. Como está sua vida de meditação na palavra de Deus?